Em Cartagena, as ruas também contam histórias. Algumas sussurram baixinho; a Tripita y Media fala bem na sua cara.
Se você andar por Getsemaní, é inevitável: você para, olha para a placa e se pergunta com um sorriso: quem batizou isso assim?
O engraçado é que não há uma resposta única. Entre papéis velhos e boatos de esquina, coexistem duas versões… e ambas têm seu charme.
A versão histórica: Troncoso e Canabal
Segundo o jornal El Getsemanicense, essa rua nem sempre se chamou assim. Primeiro foi Calle del Troncoso, provavelmente por causa de um morador de sobrenome galego.
Depois, com os ventos da Independência, passou a homenagear Eusebio María Canabal, herói signatário da Acta de 1811.
O curioso: o nome oficial nunca pegou de verdade. Nos comentários do bairro, o nome que se impôs foi “Tripita y Media”, e é aí que começa a parte interessante.

O peixe e a fritura
Getsemaní é especialista em histórias que se transmitem nas calçadas. Sobre a origem do apelido, circulam duas versões clássicas:
A pescadora de meias
Conta-se que morava ali uma jovem de família de pescadores. Ela guardava as tripas do peixe para cozinhá-las mais tarde e, certo dia, apareceu em uma festa com meias novas que ganhara de presente da madrinha.
O contraste entre “tripita” e “meia” fez o resto: o apelido a acompanhou… e a rua também.
A fritangueira elegante
Outra versão fala de uma mulher que fritava tripas na região. Um golpe de sorte permitiu que ela comprasse meias para “melhorar o visual”, sem deixar de lado as sandálias.
O pessoal do bairro, fiel à tradição, batizou-a de Tripita e Media. E, como costuma acontecer em Cartagena: o apelido tornou-se tão importante que passou a ser um endereço.
Documentos existem; provas definitivas, não. As duas histórias populares compartilham o mesmo DNA: a mulher trabalhadora, a barriga como símbolo de humildade, as meias como um gesto de aspiração e aquela centelha irônica tão caribenha.
Enquanto isso, os arquivos falam de Troncoso e Canabal. Ou seja, temos o que está escrito e o que foi vivido.
O resultado? O apelido venceu por goleada. Porque em Getsemaní a memória está escrita na parede, na esquina, nas conversas de sobremesa… e às vezes pesa mais do que qualquer decreto.
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Documento ou voz do bairro?
Talvez nunca tenhamos a certidão de nascimento do nome. E tudo bem. De um lado, a história oficial com heróis e sobrenomes; do outro, a malícia do bairro, capaz de batizar com carinho o que o papel não consegue impor.
No fim das contas, Tripita y Media é isso: um relato vivo, tecido entre mito, memória e comunidade. E é exatamente aí que está seu encanto.
Na sua próxima caminhada por Getsemaní: pare na placa, ouça o que os vizinhos contam… e deixe-se levar.
Perguntas frequentes (FAQ)
1) Onde fica exatamente a Rua Tripita y Media?
No coração de Getsemaní, a poucos minutos a pé do Parque do Centenário e bem perto da Rua Larga. É uma rua curta, colorida e super fotogênica.
2) O nome oficial não é Tripita y Media?
Historicamente, registram-se Troncoso e depois Canabal; no entanto, o uso popular impôs “Tripita y Media”. Em Getsemaní, a memória das pessoas costuma ter a última palavra.
3) É um bom lugar para fotos? Alguma dica rápida?
Perfeito para o Instagram. Cores, portas de madeira, murais e a vida do bairro. Vá com luz suave (de manhã cedo ou na golden hour), respeite as entradas das casas e, se for fotografar alguém, peça permissão.
4) Qual é a melhor hora para visitá-la?
De manhã cedo, para ter luz clara e menos gente; ou à tarde, para tons quentes e aquela vibe boêmia que toma conta de Getsemaní.